29 de outubro de 2011

ENTREVISTA DO PROF. PETER FRY NO PROJETO CIENTISTAS SOCIAIS DE PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA: HISTÓRIAS DE VIDA - FGV

Peter Henry Fry nasceu na cidade de Leeds, na Inglaterra, em 1941. Graduou-se em antropologia social na University of Cambridge em 1963. Sua tese de doutorado, fruto de uma pesquisa de campo na África, foi defendida em 1969 na University of London. Peter Fry veio ao Brasil em 1970, participando do processo de consolidação da pós-graduação em ciências sociais da Universidade Estadual de Campinas, onde lecionou até 1983. Foi professor visitante do programa de pós-graduação em antropologia social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro de 1983 a 1985, permanecendo na cidade de 1985 a 1988 como assessor de programas e representante da Fundação Ford no Brasil. Em 1989 Peter Fry vai para Harare, em Zimbábue, como representante adjunto da Fundação Ford. Em 1993, retorna ao Rio de Janeiro para lecionar no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde permaneceu até sua aposentadoria como professor titular.

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Sobre o Núcleo

Desde o início de 2007 um grupo de professores e alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores de pós-doutorado vinculados ao Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP) vêm se reunindo com o objetivo de partilhar idéias e trocar experiências de pesquisa que tratam da produção social da diferença por meio da articulação de categorias de raça, gênero, sexo, idade e classe, tanto do ponto de vista da configuração de sistemas de classificação social, como da constituição de corpos e identidades coletivas. Tanto na pesquisa empírica, como na esfera das discussões teóricas, percebe-se que temas que costumavam ser tratados separadamente - gênero e raça, por exemplo, eram antes construídos como problemas teóricos estanques - precisam ser compreendidos e estudados em termos da intersecção destas categorias.

O Brasil como outros países, vem assistindo nos últimos anos a uma discussão pública crescente sobre questão "racial" e "racismo", miscigenação e nação, sistema de ação afirmativa, cotas e políticas públicas com base na diferenciação por "cor/raça", além da reconfiguração da questão das terras ditas "terras de pretos" ou dos "remanescentes dos quilombos". No âmbito das questões relacionadas à sexualidade e gênero, vivemos também atualmente um processo de importantes redefinições, tanto no nível da ética sexual (os limites do que deve ou não ser tolerado), quanto no nível da política sexual propriamente dita (os limites do que deve ou não ser criminalizado). As discussões em curso no país sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo, sobre o combate à violência conjugal e o assédio sexual, o aborto assistido, a profissionalização da prostituição, o turismo sexual são apenas alguns exemplos desse processo de transformação.

Problemas sociais e problemas de pesquisa sócio-antropológica especificam-se crescentemente em sujeitos de direitos minoritários referidos a marcadores de raça, etnia, gênero e orientação sexual, que ocupam de modo inédito a agenda política e acadêmica do país. Ao se penetrar no labirinto da produção de categorias identitárias e formas de discriminação associadas àqueles marcadores de diferença, é possível é possível perceber como a produção do saber vem atuando e sendo incorporada aos movimentos sociais em questão.

Trata-se não apenas de reelaborar questões clássicas e recorrentes sobre miscigenação, erotismo e nação, mas também refletir sobre o impacto das políticas de identidade e de ações afirmativas, percorrer o embate entre políticas de escopo universalista e políticas de promoção de direitos especiais, bem como buscar a compreensão renovada de convenções, representações e sociabilidades associadas a raça, etnia, sexualidade e gênero. Os novos tempos trazem novos desafios conceituais e acabam por exigir novas frentes de pesquisa, evidenciando a necessidade de lançar mão de perspectivas mais comparadas, que inter-relacionem aquelas categorias, redimensionando sua própria aplicabilidade e significação.

Linhas de atuação:

  • A produção histórica e cultural da racialização/etnização da sexualidade e da sexualização da raça/etnia, e suas implicações em termos dos diferentes sistemas de dominação.
  • A articulação de gênero e sexualidade em corpos hierarquizados em termos de raça/etnia.
  • Imagens, representações, convenções e saberes em torno de raça, etnia, sexualidade e gênero.
  • Práticas cotidianas e sociabilidades em torno de raça, etnia, sexualidade e gênero.
  • Políticas e discursos públicos sobre raça, etnia, sexualidade e gênero.
  • Produção de desigualdades em torno destas categorias e de suas intersecções
  • Interações entre racismo, sexismo e homofobia, e as formas de naturalização e essencialização de diferenças sociais.

Professores vinculados:

O Numas conta ainda com a participação de 6 alunos de Mestrado, 7 de Doutorado, 8 de Iniciação científica e 1 de Pós-Doutorado.