2 de novembro de 2011

Comunicado dos três estudantes da Geografia envolvidos com a PM na quinta-feira passada.


"Diante da repercussão que se seguiu após os fatos da quinta feira (27/10), viemos nos pronunciar para esclarecer parte do que ocorreu naquele dia. Primeiramente devemos deixar claro que, com a ajuda e orientação dos advogados, optamos por assinar o termo circunstanciado da PM para evitar novas complicações, vale ressaltar que, uma vez que já existia um B.O em nossos nomes de nada adiantava recusar assinar o termo, sendo que tal atitude só poderia acarretar em mais processos. Desta forma, o boato de que o DCE e a diretora da FFLCH teriam nos entregado para a PM, assim como outros estudantes que ajudaram a formar o cordão de isolamento, é falsa. Também é necessário dizer que não fomos conduzidos até o carro da polícia e que a nossa ida até a delegacia foi realizada através de carona oferecida por professores da FFLCH. Sem mais, agradecemos a ajuda e apoio daqueles que procuraram garantir a nossa autonomia para decidir o que fazer diante da situação em que nos encontrávamos, e parabenizamos o esforço que tem se criado nesses dias para se discutir questões muito mais importantes do que esta, como a própria legalização da maconha, a presença da PM na USP e a falta de segurança no campus."


(Essa nota foi veiculada pelos Centro Acadêmicos de Geografia (CEGE) e Ciências Sociais (CEUPES)

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Sobre o Núcleo

Desde o início de 2007 um grupo de professores e alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores de pós-doutorado vinculados ao Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP) vêm se reunindo com o objetivo de partilhar idéias e trocar experiências de pesquisa que tratam da produção social da diferença por meio da articulação de categorias de raça, gênero, sexo, idade e classe, tanto do ponto de vista da configuração de sistemas de classificação social, como da constituição de corpos e identidades coletivas. Tanto na pesquisa empírica, como na esfera das discussões teóricas, percebe-se que temas que costumavam ser tratados separadamente - gênero e raça, por exemplo, eram antes construídos como problemas teóricos estanques - precisam ser compreendidos e estudados em termos da intersecção destas categorias.

O Brasil como outros países, vem assistindo nos últimos anos a uma discussão pública crescente sobre questão "racial" e "racismo", miscigenação e nação, sistema de ação afirmativa, cotas e políticas públicas com base na diferenciação por "cor/raça", além da reconfiguração da questão das terras ditas "terras de pretos" ou dos "remanescentes dos quilombos". No âmbito das questões relacionadas à sexualidade e gênero, vivemos também atualmente um processo de importantes redefinições, tanto no nível da ética sexual (os limites do que deve ou não ser tolerado), quanto no nível da política sexual propriamente dita (os limites do que deve ou não ser criminalizado). As discussões em curso no país sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo, sobre o combate à violência conjugal e o assédio sexual, o aborto assistido, a profissionalização da prostituição, o turismo sexual são apenas alguns exemplos desse processo de transformação.

Problemas sociais e problemas de pesquisa sócio-antropológica especificam-se crescentemente em sujeitos de direitos minoritários referidos a marcadores de raça, etnia, gênero e orientação sexual, que ocupam de modo inédito a agenda política e acadêmica do país. Ao se penetrar no labirinto da produção de categorias identitárias e formas de discriminação associadas àqueles marcadores de diferença, é possível é possível perceber como a produção do saber vem atuando e sendo incorporada aos movimentos sociais em questão.

Trata-se não apenas de reelaborar questões clássicas e recorrentes sobre miscigenação, erotismo e nação, mas também refletir sobre o impacto das políticas de identidade e de ações afirmativas, percorrer o embate entre políticas de escopo universalista e políticas de promoção de direitos especiais, bem como buscar a compreensão renovada de convenções, representações e sociabilidades associadas a raça, etnia, sexualidade e gênero. Os novos tempos trazem novos desafios conceituais e acabam por exigir novas frentes de pesquisa, evidenciando a necessidade de lançar mão de perspectivas mais comparadas, que inter-relacionem aquelas categorias, redimensionando sua própria aplicabilidade e significação.

Linhas de atuação:

  • A produção histórica e cultural da racialização/etnização da sexualidade e da sexualização da raça/etnia, e suas implicações em termos dos diferentes sistemas de dominação.
  • A articulação de gênero e sexualidade em corpos hierarquizados em termos de raça/etnia.
  • Imagens, representações, convenções e saberes em torno de raça, etnia, sexualidade e gênero.
  • Práticas cotidianas e sociabilidades em torno de raça, etnia, sexualidade e gênero.
  • Políticas e discursos públicos sobre raça, etnia, sexualidade e gênero.
  • Produção de desigualdades em torno destas categorias e de suas intersecções
  • Interações entre racismo, sexismo e homofobia, e as formas de naturalização e essencialização de diferenças sociais.

Professores vinculados:

O Numas conta ainda com a participação de 6 alunos de Mestrado, 7 de Doutorado, 8 de Iniciação científica e 1 de Pós-Doutorado.