23 de janeiro de 2012

"CULTURAS CORPORAIS, SEXUALIDADES E RECONHECIMENTO: NOVAS MORALIDADES EM DEBATE" (GT 23)

REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA, São Paulo, de 2 a 5 de julho de 2012, o Grupo de Trabalho "CULTURAS CORPORAIS, SEXUALIDADES E RECONHECIMENTO: NOVAS MORALIDADES EM DEBATE" (GT 23), coordenado pelos Profs. Fabiano Gontijo (UFPI) e Laura Moutinho (USP).

Envio de propostas de comunicação até o dia 26/01/2012.

Resumo da proposta do GT:

Este GT se inscreve no campo dos debates em curso sobre direitos diferenciados e políticas de reconhecimento. Novas sensibilidades sociais articuladas à ampla circulação de capitais simbólicos específicos vêm produzindo não somente renovados canais de comunicação entre instâncias diversas de poder, mas alargando os antigos campos de pesquisa e dando destaque a novos sujeitos de reconhecimento. Paralelamente, alguns dos atuais “direitos” consubstanciados em “sujeitos” se constroem sobre a naturalização de identidades e convenções morais socialmente elaboradas. Diante disto, parece pertinente afirmar que muitas reivindicações podem ser compreendidas ora como emancipatórias ora como um reforço do desejo de “normalização”, ora como uma reificação de sujeitos em categorias. Na produção tanto da diferença (e da desigualdade) quanto de novas sensibilidades sociais, um conjunto de marcadores sociais da diferença vêm sendo articulados a partir de três eixos: 1) o da (re)construção dos Estados nacionais e de certas representações de nação; 2) o campo dos direitos humanos: da regulação/repressão à construção de sujeitos de direitos; e 3) o eixo das subjetividades/identidades: o espaço da construção, do cuidado de si e da inserção em novas ou renovadas redes de sociabilidade. Este GT abrigará trabalhos a partir destes eixos.


Para informações mais detalhadas sobre o evento e sobre o envio de comunicações, visite o site: http://www.sistemasmart.com.br/RBA/default.asp

Para a inscrição de propostas de comunicação, a) serão solicitados o título, o GT escolhido e um resumo com até 1500 caracteres com espaços; b) para efetuar a INDICAÇÃO DE CO-AUTORES é necessário solicitar que os indicados se cadastrem PREVIAMENTE no site da Reunião, preenchendo o formulário geral de inscrição no link abaixo. Todo cadastro gera um número de inscrição do participante. Esse número deve ser OBRIGATORIAMENTE informado na hora de indicar seus co-autores. Este número pode ser obtido no e-mail que todo participante recebe após efetuar seu cadastro no sistema, ou na área restrita do site logo após o login com e-mail e senha (o número aparece no canto superior direito).


Fabiano Gontijo e Laura Moutinho

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Sobre o Núcleo

Desde o início de 2007 um grupo de professores e alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores de pós-doutorado vinculados ao Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP) vêm se reunindo com o objetivo de partilhar idéias e trocar experiências de pesquisa que tratam da produção social da diferença por meio da articulação de categorias de raça, gênero, sexo, idade e classe, tanto do ponto de vista da configuração de sistemas de classificação social, como da constituição de corpos e identidades coletivas. Tanto na pesquisa empírica, como na esfera das discussões teóricas, percebe-se que temas que costumavam ser tratados separadamente - gênero e raça, por exemplo, eram antes construídos como problemas teóricos estanques - precisam ser compreendidos e estudados em termos da intersecção destas categorias.

O Brasil como outros países, vem assistindo nos últimos anos a uma discussão pública crescente sobre questão "racial" e "racismo", miscigenação e nação, sistema de ação afirmativa, cotas e políticas públicas com base na diferenciação por "cor/raça", além da reconfiguração da questão das terras ditas "terras de pretos" ou dos "remanescentes dos quilombos". No âmbito das questões relacionadas à sexualidade e gênero, vivemos também atualmente um processo de importantes redefinições, tanto no nível da ética sexual (os limites do que deve ou não ser tolerado), quanto no nível da política sexual propriamente dita (os limites do que deve ou não ser criminalizado). As discussões em curso no país sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo, sobre o combate à violência conjugal e o assédio sexual, o aborto assistido, a profissionalização da prostituição, o turismo sexual são apenas alguns exemplos desse processo de transformação.

Problemas sociais e problemas de pesquisa sócio-antropológica especificam-se crescentemente em sujeitos de direitos minoritários referidos a marcadores de raça, etnia, gênero e orientação sexual, que ocupam de modo inédito a agenda política e acadêmica do país. Ao se penetrar no labirinto da produção de categorias identitárias e formas de discriminação associadas àqueles marcadores de diferença, é possível é possível perceber como a produção do saber vem atuando e sendo incorporada aos movimentos sociais em questão.

Trata-se não apenas de reelaborar questões clássicas e recorrentes sobre miscigenação, erotismo e nação, mas também refletir sobre o impacto das políticas de identidade e de ações afirmativas, percorrer o embate entre políticas de escopo universalista e políticas de promoção de direitos especiais, bem como buscar a compreensão renovada de convenções, representações e sociabilidades associadas a raça, etnia, sexualidade e gênero. Os novos tempos trazem novos desafios conceituais e acabam por exigir novas frentes de pesquisa, evidenciando a necessidade de lançar mão de perspectivas mais comparadas, que inter-relacionem aquelas categorias, redimensionando sua própria aplicabilidade e significação.

Linhas de atuação:

  • A produção histórica e cultural da racialização/etnização da sexualidade e da sexualização da raça/etnia, e suas implicações em termos dos diferentes sistemas de dominação.
  • A articulação de gênero e sexualidade em corpos hierarquizados em termos de raça/etnia.
  • Imagens, representações, convenções e saberes em torno de raça, etnia, sexualidade e gênero.
  • Práticas cotidianas e sociabilidades em torno de raça, etnia, sexualidade e gênero.
  • Políticas e discursos públicos sobre raça, etnia, sexualidade e gênero.
  • Produção de desigualdades em torno destas categorias e de suas intersecções
  • Interações entre racismo, sexismo e homofobia, e as formas de naturalização e essencialização de diferenças sociais.

Professores vinculados:

O Numas conta ainda com a participação de 6 alunos de Mestrado, 7 de Doutorado, 8 de Iniciação científica e 1 de Pós-Doutorado.